Oscar Parrot – Um milagre, dois troféus.

Meu nome é Oscar Parrot, sou natural de Juiz de Fora, MG, mas atualmente resido em Cabo Frio, RJ, onde trabalho como Engenheiro de Petróleo, na Empresa Petrobras. Quero, para a Glória do Senhor Jesus, compartilhar com você, uma grande vitória que recebi de Deus.

Venho de uma família muito tradicional e conservadora, de princípios éticos, morais e religiosos, sou do tempo que meus familiares me conduziam pelas mãos, como uma família unida aos pés do Senhor, para a Igreja a fim de cultuá-lo. Assim, com a idade avançando, mantive essa boa tradição de ir a Casa do Senhor, mas sentia um grande desejo de ter um encontro mais profundo e íntimo com Deus. Essa experiência começou a se concretizar, quando aos 15 anos fui convidado a fazer parte do coral da Igreja, nos cultos dominicais; foi uma benção e me senti motivado e realizado.

Eram os anos 1970 e a ditadura militar estava no seu período mais nebuloso e repressor e o meu líder espiritual da época, amava a Teologia da libertação, bem como contextualizava os temas da política brasileira e internacional nas suas pregações. Depois dessas ministrações, éramos chamados a falar, dando nossos pareceres e opiniões sobre o proposto. Pasmem, pois muitas vezes, tivemos que modificar o esquema desta homilia participativa para despistar os agentes da polícia repressora que desejavam pegar nosso querido líder espiritual em flagrante delito.

Foi um tempo extraordinário da minha vida. Considero que neste momento comecei a me soltar, pois era um jovem bastante tímido, assim como passei a sedimentar valores e conceitos como justiça social, solidariedade e democracia.

No entanto, tudo isto não saciava uma sede que eu não sabia explicar. Estava no ambiente da Igreja, com um celebrante inspirador, a quem eu admirava e amava e as religiosas mais acolhedoras e queridas que eu já havia conhecido. Mas eu sentia estar faltando algo.

Com meus dezenove anos, já estudante de Engenharia Civil na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), consegui uma vaga para lecionar Física às alunas do Magistério do Colégio dos Santos Anjos, também na cidade de Juiz de Fora, onde enfrentei grandes desafios, mas sempre, em todos os meus caminhos, o Senhor me abençoava muito e tive grande sucesso nessa jornada. Tanto que consegui montar um grupo de teatro dentro do colégio, usando minha experiência, inclusive como ator e mais uma vez, tudo que eu decidia fazer, o Senhor prosperava, sempre foi notório o agir de suas poderosas mãos sobre minha vida. Mas, continuava faltando algo.

Ao me formar, no ano de 1983, consegui vencer mais uma importantíssima etapa na minha vida e daí em diante, cheguei a morar dois anos em Brasília, DF, outros dois em Salvador, BA; me casei depois de um relacionamento de apenas três meses; voltei a morar em Juiz de Fora e a lecionar Física e foi ai que abri, junto com mais dezenove colegas, um curso pré-vestibular, que alguns anos mais tarde, tornou-se também, escola de ensino básico, desde a antiga 5ª série do ensino fundamental às três séries do ensino médio. Entrei na carreira mais apaixonante de toda minha vida e nesse ponto, a contínua graça de Deus me concedeu o dom de ser pai de duas meninas e um menino. Vale o que diz a Bíblia que os filhos são uma herança do Senhor.

Por incrível que pareça, mesmo com tantas realizações e sucessos profissionais e familiares, já com trinta e cinco anos de idade, aquele algo que faltava, se fez mais forte dentro de mim e a sede era cada vez maior.

Foi nesta época que passei a participar de movimentos mais pentecostais e de cura e libertação aqui em Juiz de Fora. Foi um tempo de reencontro com minha fé, e mais que isso, foi quando tive meu maior crescimento espiritual até então, já que fui agraciado por Deus, recebendo o maravilhoso Batismo no Espírito Santo. Passei a viver espiritualmente como nunca, pois agora me deixava ser totalmente conduzido pelo Espírito Santo, como nos mostra as Sagradas Escrituras:

João 3.8: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.

Eu era agora um neófito, que dava seus primeiros passos no conhecimento e relacionamento com o Espírito Santo. Meus irmãos na fé me deram todo apoio e começaram a me mostrar inúmeras passagens Bíblicas sobre o nosso relacionamento com o Espírito Santo e uma que me chamou muito a atenção, foi Atos 2.1-13. Que maravilha, um grupo de pessoas recebendo uma unção tão única e arrebatadora, que lhes permitiu falar em outras línguas e parecer que estavam totalmente embriagados. Era sem dúvida uma experiência fortíssima!

Desse momento em diante, minha vida espiritual se destacou, eu tinha muito mais intimidade com o Senhor e agora, passava longos momentos de oração e busca. Deus chegou a me conceder visões maravilhosas, eu clamava e chorava copiosamente, mas posso garantir, que era um choro de libertação, de alegria e de reconhecimento de que tudo aquilo que estava me acontecendo, era pela graça de Deus, meu Senhor e Único Salvador – Jesus Cristo!

E louvava incessantemente a Deus, reconhecendo que aquela dádiva misteriosa se revelava por puro amor e gratuidade. Eu não cessava a adoração, pois a sensação era de que, por mais que o fizesse, não bastava para saciar tanta gratidão que tinha pelo Senhor. Ainda no meio dos louvores, o Senhor me mostrava outras situações onde o perdão teria que ser dado e recebido. E novamente eu chorava, tanto por gratidão, por libertação, quanto por pura alegria na presença de Deus. Uma alegria de saber do amor incomparável de Deus por todos nós, uma alegria na certeza de que pelo sacrifício na cruz, eu pudesse experimentar a plenitude desse amor, que cuida de todos nós com zelo especial.

Quanto amor! Era como uma barragem que se rompendo espalha as águas por todas as terras que vêm à jusante dela. Eu me sentia assim. Justamente aquele que sentia uma falta insaciável de algo sem explicação; percebia agora, que tudo do que sentia sede, brotava do meu próprio interior com a força de um tsunami.

Comparando, é como o funcionamento do air-bag para a segurança de motorista e passageiros dos carros de passeio. Normalmente ele aparenta estar completamente vazio, tanto que nem notamos sua presença no carro. Mas o estímulo mecânico da colisão, dispara um sinal elétrico que desencadeia uma reação onde uma pastilha química (azida de sódio) se gaseifica imediata e explosivamente, enchendo o balão de maneira quase instantânea.

Aquilo de que eu tinha sede, e que era AMOR, já existia em estado latente no meu interior. Mas, por não estar acionado, permanecia inerte. E eu morria de sede sem saber que do meu próprio interior viria um dia a brotar este amor com tanta intensidade. Quando oramos a Deus, pelo meu Batismo no Espírito Santo, Ele veio como a corrente elétrica que acionou aquilo para o qual fui criado – Ser um verdadeiro adorador do Senhor! Os planos de Deus são lindos e perfeitos!

Foi deste dia em diante, dia a partir do qual experimentei que Deus não só existe, mas que habita em mim, que passei a reconhecer esta presença em todos os eventos da minha vida, desde os mais triviais possíveis aos mais complexos. Os milagres de Deus nos envolvem a todo o momento, basta estarmos de olhos abertos para enxergá-los. Por isso devemos cumprir Mateus 5.33, que nos ensina a buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, que as demais coisas serão dadas por acréscimo.

Poderia dar com a maior alegria, os incontáveis exemplos desses maravilhosos milagres no dia-a-dia que o Senhor me proporcionou desta data em diante, mas quero contar um em especial. Vou narrar aqui um destes milagres maravilhosos que está relacionado com um conhecido comum nosso, que hoje é o Pastor Marlon Anderson.

O Marlon foi aluno de minha escola nos anos de 1994 e 1996. Na época, além de lecionar Física, eu era também diretor. Assim como hoje, o entusiasmo daquele aluno contagiava vários de nossos professores, levando-os a trabalhar muito dedicadamente com aquele jovem, pois ele tinha muitas defasagens de aprendizagem.

No ano de 1996, concedi uma bolsa integral de estudo para ele e sem ela, ele teria que voltar para sua cidade, não teria como estudar naquele ano. Ele compensava tudo com esforço redobrado e diligente. Lecionar para alunos assim é muito estimulante. A cada aula ele atentava como se fosse a última de sua vida e o conteúdo sendo ministrado, o mais vital. Tornamo-nos bons amigos a ponto de ele, depois de formado, ter vindo a lecionar em uma unidade filial de nossa escola em São João Del Rei.

Passaram-se quase 20 anos e num domingo de 2011, quando eu retornava com minha esposa Márcia de Juiz de Fora para Macaé, cidade onde eu trabalhava na época, ocorreu o seguinte: ao chegarmos em casa ela me disse: “Eu tenho uma notícia ruim para lhe dar”. Eu respondi: “Eu já sei disto desde sexta-feira, mas não tive a coragem de te contar, pois estragaria sua viagem”. Márcia acrescentou: “Saiu a decisão da justiça quanto a sua demissão da empresa”.

Eu trabalhava na estatal do petróleo. Havia, no entanto, uma pendência na minha admissão à mesma, pois tinha sido reprovado em uma das fases do concurso. No entanto, através de um efeito suspensivo desta reprovação, obtido judicialmente, consegui fazer o curso de formação na cidade Salvador, ao fim do qual, tendo obtido o necessário aproveitamento, fui alocado em uma vaga na cidade de Macaé.

Passaram-se dois anos. Isto me levou mesmo a achar que a própria firma havia desistido da demanda judicial, considerando como fato consumado minha efetivação. Mais que nada, a juíza que julgou meu caso, valendo-se de requintes de crueldade, fez colocações no intento de desabonar minhas possibilidades profissionais e, com isto, indeferiu meu pedido de anulação daquela reprovação, decidindo que a empresa poderia me demitir imediatamente.

Imagine o que é dormir de domingo para segunda com esta espada no pescoço. Mas eu havia aprendido um caminho lá naquele encontro de oração, quando tinha sido batizado no Espírito Santo: “O Senhor habita em mim. Por mais que esteja escuro neste momento, eu não vou deixar o medo me paralisar, pois assim me ensina o Salmo 22”. E orava: “Senhor eu troco toda justiça dos homens pela Sua Misericórdia”.

Ao mesmo tempo, como já disse, após quase vinte anos sem nos vermos, Marlon conseguiu meu telefone, pois segundo ele, o Senhor o colocava a orar intensamente por minha vida, tanto que ele subia aos montes, com seu grupo de irmãos, para intercederem por mim. Pesquisando pelas redes sociais, encontrou meu filho, que lhe deu o meu número. O Senhor colocou no coração desse meu amigo o desejo de falar comigo urgentemente naquele momento.

Veja que, só o Senhor do tempo e do espaço poderia propiciar isto! Num dos dias mais sombrios da minha vida. Dia em que eu mais precisava de uma sincera palavra de apoio e amizade, o Senhor providenciou meu querido aluno e amigo para falar comigo depois de tanto tempo.

Tomei este fato como um sinal divino de que tudo, apesar das aparências contrárias, ia dar certo. Pedi a Marlon que orasse na minha intenção e ele me disse que a partir daquele telefonema, eu poderia me preparar para ouvir uma grande vitória da parte de Deus. Me disse que eu poderia esperar, que a vitória certamente viria em Nome de Jesus. E veio mesmo! pois o que era para ser um dia triste, se transformou em pura alegria. O amor do Senhor subverte a lógica humana, tanto que os colegas de trabalho diziam não entender aquela tranqüilidade diante da grande realidade de ficar desempregado.

Alguns dias depois, o Senhor completou Sua providência; pois havia saído o edital de um novo concurso na empresa, justamente para o cargo que eu ocupava. Era a oportunidade perfeita de enterrar de vez a demanda judicial; uma nova aprovação para a mesma função. Quando é o Senhor que nos diz, podemos ter a certeza de que Ele já providenciou tudo por inteiro. Mesmo eu estando sem estudar por dois anos e com pouco tempo até as provas, pedi férias antecipadas e passei um mês me preparando.

O resultado foi que, dos duzentos e cinquenta aprovados, eu fui o trigésimo terceiro. Mas faltavam ainda os exames, etapa na qual eu havia sido reprovado no concurso anterior. Na semana em que estava em Belo Horizonte, fazendo estes exames admissionais, recebi a notícia da justiça do Estado do Rio de Janeiro. O desembargador, a pedido de meus advogados, que recorreram da decisão da juíza, corrigiu aquela sentença, dando agora, na maior instância da justiça do Rio de Janeiro, ganho de causa a meu favor.

Ou seja, em um tempo relativamente curto, o Senhor transformou uma completa derrota numa plena e dupla vitória. Dupla porque a partir desta decisão do desembargador, eu passava a ter dois caminhos para permanecer na empresa: o contrato antigo; com a vitoriosa solução da demanda judicial e o contrato novo; através da maravilhosa aprovação no segundo concurso.

Por isto termino este meu testemunho nesta oração de Louvor: “Senhor, louvado seja a Sua misericórdia, dela me lembro muito antes que da Sua justiça. Isto porque para que eu clame pela Sua justiça, tenho que esquecer quem sou; um pecador indigno da Sua graça. No entanto, é na Sua misericórdia que o Senhor faz forte minha pequenez (Salmo 50). Louvado seja pela minha vida, a partir do dia em que te conheci. Pois foi este o dia do meu verdadeiro nascimento.”

Extraído do livro: Quando tudo diz que não ainda existe uma Esperança! do Pastor Marlon Anderson

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