A simbologia dos Elementos do Tabernáculo

A simbologia dos Elementos do Tabernáculo

 

Diversas significâncias podem ser encontradas em cada detalhe da Lei de Deus, bem como nos detalhes do Tabernáculo e de seus utensílios.

Analisando o texto com atenção, poderemos ver que esta passagem está repleta de significados espirituais e éticos muito edificantes para nossa fé.

Algumas dessas significâncias certamente estarão apoiadas pela Midrash (comentários rabínicos que se movem para além da explicação direta do texto), porém todas transmitem ensinamentos morais que estão profundamente enraizados no pensamento Bíblico.

Conforme o capítulo 25 do Êxodo se desenvolve, Deus anuncia o Seu plano para a construção do Santuário e seus vários utensílios:

A Arcada Aliança Coberta por Ouro

“Também farão uma arca de madeira de acácia… E cobri-la-á de ouro puro; por dentro e por fora a cobrirás…” Êxodo 25:10-11

A Arca da Aliança

A Arca da Aliança.

Os estudiosos do Antigo Testamento afirmam que a Arca da Aliança foi coberta de ouro por dentro e por fora para transmitir a verdade que todo discípulo do Senhor tem que ser purificado tanto internamente quanto externamente.

Somente a aparência de santidade exterior não é suficiente. O homem tem que buscar primeiramente a pureza interior, dentro do coração, e assim permitir que Deus o santifique, tanto a alma, quanto o corpo.

“Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.” Mateus 23:26

As Varas Usadas no Transporte da Arca

“E colocarás as varas nas argolas, aos lados da arca, para se levar com elas a arca. As varas estarão nas argolas da arca, não se tirarão dela.” Êxodo 25:14-15

Todos os componentes do Tabernáculo foram projetados para serem transportáveis com certa facilidade. Eles eram levados de um lugar a outro por meio de varas (bastões) de madeira que eram inseridos em argolas, presentes em cada elemento do Santuário.

Quando o Tabernáculo era montado, esses bastões também eram retirados, mas com uma única exceção – a Arca da Aliança permanecia, mesmo em seu local de repouso, com seus bastões presos à ela.

Era expressamente proibido a retirada dessas varas. E porque a Torá proibia que se retirasse os bastões das argolas da Arca da Aliança?

O comentarista Ba’al Hachinuch afirmava, baseado na peshat (o sentido direto do texto), que com os bastões mantidos em seus lugares, se uma jornada súbita fosse iniciada, não haveria perigo da Arca ser impropriamente transportada.

Outros estudiosos, porém, veem esta proibição em termos simbólicos.

Menachem Meiri, rabino catalão, sugere que os bastões representam a parte física do ser humano, enquanto que a Arca da Aliança representa a espiritualidade vinda de Deus.

Os bastões tinham que permanecer conectados na Arca, dizia ele, para nos ensinar que as dimensões físicas e espirituais do homem tem que estar unidas, em uma fusão permanente, de forma que todo o ser possa ser guiado pela Palavra de Deus.

Os bastões também representariam os discípulos que dão suporte financeiro, ou de alguma outra forma de suporte, àqueles que se dedicam ao estudo da Palavra de Deus, bem como as instituições que promovem o estudo bíblico.

Os bastões permaneciam na Arca para simbolizar o papel de crucial importância que essas pessoas exercem, quando continuamente dão suporte, com doações, para que o Evangelho e o conhecimento do Senhor chegue aos ouvidos de todo o mundo.

O Rabino Alemão, Shimshon Raphael Hirsch, sugeriu que a permanência dos bastões nas argolas da Arca simbolizava a “portabilidade” da Presença e da Palavra de Deus. A palavra de Deus estava acima de qualquer local considerado “sagrado”.

Onde quer que o povo fosse, a Divina Presença os acompanhava, juntamente com a Sua Palavra, que habitava dentro deles. Deus nunca esteve, e não está limitado a nenhum lugar específico. A Sua morada está em nossas mentes e no nosso coração.

Uma explicação adicional afirma que os bastões permaneciam na Arca porque ela deveria estar pronta para ser transportada a qualquer momento, simbolizando que a nossa relação com a Palavra de Deus e Sua Lei deve ser dinâmica, envolve movimento.

Nós temos que estar em constante estudo da Palavra, interpretando-a e reinterpretando-a, de forma a aplicá-la nas diversas situações da vida que estão em um constante movimento de mudança.

É uma simbologia que demonstra que a Palavra de Deus está sempre em fluxo, a se revelar, mesmo quando parece estar em “repouso”, como acontecia com a Arca da Aliança.

O Propiciatório de Ouro

“Também farás um propiciatório de ouro puro…” Êxodo 25:17

O Propiciatório de Ouro
O Propiciatório de Ouro.

O ouro do Propiciatório fala da Santidade, no sentido de ser transmitida do Alto a baixo, de Deus ao homem. A santidade não pode ser vista como algo que parte do ser humano, mas ao contrário, é de origem divina.

Daí advém a ordem para que o כהן גדול Kohen Gadol, o Sumo Sacerdote, no dia da expiação dos pecados, o יוֹם כִּפּוּר Yom Kippur, retirasse as suas roupas que continham ouro e pedras preciosas, para poder adentrar o Santo dos Santos.

Normalmente o Kohen Gadol utilizava oito vestes enquanto realizava o seu serviço. Quatro, destas oito, não continham ouro. No dia da expiação, também conhecido como Yom Kippur, o Sumo Sacerdote removia quatro roupas que continham ouro, para ficar somente com as de linho branco.

Assim, ele poderia entrar no lugar chamado de Santo dos Santos, apenas uma vez ao ano, para oferecer a Deus o sacrifício de sangue pelos pecados do povo, afim de buscar o perdão de Deus.

O ato do Sumo Sacerdote em retirar as roupas de ouro é muito significativo para o mundo da fé. O ouro também representa a divindade, além de santidade. O próprio Sumo Sacerdote é símbolo de Jesus Cristo.

E assim como ele, Cristo, o nosso Kohen Gadol, se despiu de sua divindade, e assumiu a forma humana, para através do sacrifício do Seu precioso sangue, entrar em um Santuário não feito por mãos de homem, onde compareceu perante o Pai, para interceder pela humanidade, afim de que os pecados do mundo fossem perdoados por intermédio do Seu sacrifício eterno na cruz.

Os Querubins de Ouro

“Farás um querubim na extremidade de uma parte, e o outro querubim na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório, fareis os querubins nas duas extremidades dele.

Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; as faces deles uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório.” Êxodo 25:19-20

Não há outro elemento, na construção do Tabernáculo, mais problemático de se entender do que os כְּרֻבִ֖ים querubins. Postos no centro do Mishkan, formando uma só peça com o propiciatório, eles marcavam o local onde Deus falaria com Moisés.

Entretanto, essas figuras angelicais pareciam contradizer diretamente a proibição de não se fazer imagens de escultura, que foi dada ao povo Hebreu quando da revelação dos Dez Mandamentos.

O rabino Ovadia Sforno interpretava uma completa conexão entre a Arca da Aliança, o Propiciatório e os Querubins. A Arca representava o corpo humano, o Propiciatório era símbolo do Espírito de Deus que repousava sobre o homem, e os Querubins, com suas asas estendidas, falavam da busca do ser humano pela sabedoria divina.

As faces dos Querubins estavam voltadas uma defronte a outra e estavam também voltadas para o Propiciatório, para simbolizar que a sabedoria não vem deste mundo, mas provém da graça de Deus – que era representada pelo Propiciatório.

“as faces deles uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório.” Êxodo 25:19-20, à primeira vista, esta frase parece um tanto contraditória. As faces dos Querubins estariam com suas faces voltadas um para o outro, ou elas estavam voltadas para o Propiciatório?

Aparentemente a direção do olhar dos Querubins parece impossível de se alcançar. O texto é um tanto vago quanto a essa possibilidade. Muitos comentaristas afirmam que essa falta de clareza desta passagem é proposital, e quer nos dar um lindo ensinamento.

Primeiro, a face dos Querubins deveriam ficar uma de frente para a outra – suas faces eram símbolos de faces humanas, para significar que só alcançamos a visão mais real de Deus neste mundo quando olhamos mutuamente, com atenção, uns aos outros.

Não há nenhum outro ser ou elemento que Deus tenha posto a Sua imagem e Semelhança, a não ser o próprio ser humano.

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” Gênesis 1:26

O Propiciatório representava o divino, a misericórdia divina. E as faces dos Querubins (que representava o homem), para serem direcionadas para o divino e para a misericórdia, primeiro precisavam ser voltadas uma para a outra, tinham primeiro que contemplar o seu semelhante, para somente depois poder “ver Deus”.

“Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” 1 João 4:20

O nosso olhar mútuo, e o cuidado recíproco entre os homens faz com que a “face” de Deus seja revelada em nosso meio.

A Mesa do Pão da Proposição

“Também farás uma mesa de madeira de acácia” Êxodo 25:23

A Mesa do Pão da Proposição
A Mesa do Pão da Proposição.

Esta mesma שֻׁלְחָ֖ן Shulchan, Mesa, no Tabernáculo, e depois no Templo de Salomão, foi usada para colocar o Pão da Proposição, לֶ֥חֶם פָּנִ֖ים lehem panim, o Pão da Presença. O Pão da Proposição simbolizava o contínuo sustento espiritual que a Divina Presença trazia ao povo de Deus.

O Pão da Presença era Jesus, que se fez presente neste mundo, o Pão da Vida descido dos céus, que veio para alimentar a nossa vida espiritual.

“Eu sou o pão da vida.” João 6:48

Quem come desse Pão recebe a vida eterna!

Além disso, a mesa é símbolo da reunião familiar para participar de uma refeição, que neste caso seria uma refeição santa, algo que também fala de comunhão. Pão, Mesa e Santidade são elementos que nos remetem para a Santa Ceia do Senhor.

Deus já começava, desde o tempo de Moisés, a apontar para a futura comunhão que teria com o Seu povo através do Pão, o corpo de Jesus que foi partido na cruz, para a salvação de muitos.

A Menorá, o Candelabro de Ouro

“Também farás um candelabro de ouro puro… Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para iluminar defronte dele.” Êxodo 25:31-37

A Menorá, o Candelabro de Ouro
A Menorá, o Candelabro de Ouro.

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O primeiro elemento que Deus criou no mundo foi a luz.

“E disse Deus: Haja luz; e houve luz.” Gênesis 1:3

A Menorá, um candelabro de sete braços, continuamente tinha as suas lâmpadas alimentadas com o mais puro azeite para que não se apagassem e deixassem de emitir a sua luz. E a função da Menorá era iluminar tudo o que estava a sua frente.

“Fala a Arão, e dize-lhe: Quando acenderes as lâmpadas, as sete lâmpadas iluminarão o espaço em frente do candelabro.” Números 8:2

Sem dúvida era símbolo daquele que viria ser a luz do mundo, que viria compartilhar da sua luz, para que ninguém mais precisasse andar em trevas.

“Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” João 8:12

E todo aquele que o recebe, passa de igual forma a emitir a luz da vida, e não se pode fugir da tarefa que por Deus nos foi delegada de iluminar o mundo. Cada coração com Cristo é um candelabro de ouro puro.

“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mateus 5:14-16

Fonte: Rude Cruz, Estudos Bíblicos09 Outubro, 2014Por Israel do Nascimento Silva

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